Judith Beheading Holofernes by Caravaggio

O ódio indiscriminado contra homens não constrói uma sociedade melhor

Deparei com um conteúdo preocupante estes tempos: pequenos grupos de mulheres feministas que pregam, abertamente, o ódio indiscriminado ao homem. Não é o ódio ao comportamento machista ou ao homem machista. Não. É o ódio puro e simples ao homem enquanto ser humano que nasceu com um pênis. É a misandria em sua forma mais virulenta e agressiva. Felizmente, correspondem a  uma minúscula minoria dentro do movimento feminista. Até porque, de uma atitude como esta, nada de construtivo ou realmente edificador poderá sair.

Não sou uma lésbica, mas odeio homensTodo homem pró-feminismo é simpático à dor das mulheres nas situações em que elas ainda são tratadas como cidadãs de segunda classe (quando não, ainda pior!). Não temos como compreender esse sofrimento em toda sua amplitude, mas certamente somos solidários nas queixas e batalhas que as mulheres travam para ganhar o respeito e espaço ao qual têm direito na sociedade.

Mas odiar os homens de forma indiscriminada vai contra os princípios da construção de uma sociedade mais justa, mais fraternal. Se estivermos falando em humanismo, podemos dizer que qualquer tipo de ódio bate de frente contra os princípios humanistas. Defendemos, justamente, o fim do ódio e perseguição a grupos excluídos ou oprimidos da sociedade.

O mesmo raciocínio que nos leva a defender os homossexuais da discriminação raivosa é o mesmo que nos leva a ser contra qualquer incitação ao ódio contra um ser humano apenas por ele ter nascido como nasceu. Estamos em um mundo carente de união, de compreensão. Lançar a ira sobre  pessoas que estão apenas querendo viver sua vida da melhor maneira possível, é um desperdício de potencial mas, principalmente, é uma injustiça.

Larry Swilling descobre que sua mulher precisa de um rim para não morrerNo quadro ao lado, Larry Swilling chora ao saber que sua mulher, com quem está casado a 55 anos, teria uma grave insuficiência renal. A mulher dele foi colocada em uma enorme lista de espera, mas a espera poderia significar a morte dela. Ele, então, colocou uma placa onde anunciava que precisava de um doador de rim e saiu andando pelas ruas da Carolina do Sul. Felizmente, acharam um doador e hoje os dois estão bem.

Em outro caso, temos Chris Medina. Algum tempo após pedir a mão de sua namorada em casamento, ela sofreu um acidente. Ela ficou paraplégica, além disso, tem dificuldades para falar e está com o corpo deformado.  Chris ficou ao seu lado durante a recuperação, ajudou ela em todo o tratamento e ainda hoje em dia cuida dela.

Marido cuida da esposa em estado vegetativoAo lado temos Linda Gláucia. Após um acidente em 2007, ficou em estado vegetativo. Voltou para casa em 2012. Desde o dia do acidente até hoje, é cuidada de perto pelo marido. É tão bem cuidada que não apresenta escaras (normal em pacientes que passam muito tempo acamados) e respira sem ajuda de aparelhos.

Eu acho que não preciso escrever mais, certo? Filhos, maridos, namorados ou mesmo completos estranhos se dedicam a ajudar e até a salvar a vida de muitas mulheres. Seriam eles machistas imorais que merecem a morte por serem… homens? Ninguém é feito apenas de qualidades. Isso inclui as feministas. Nem por isso devemos segregar ainda mais uma sociedade que já tem tantas tensões. Muito menos difamar e espalhar ódio e discórdia de forma indiscriminada: isso simplesmente não é construtivo!

É o mesmo raciocínio por trás do racismo contra negros, as perseguições aos judeus, o ódio aos homossexuais, a intolerância contra transgêneros e tantas outras formas de odiar pessoas ou grupos inteiros apenas por eles terem nascido do jeito ou no local onde nasceram. Ou seja, não se dá sequer a possibilidade desta pessoa se redimir de alguma maneira, já que ela não tem controle sobre a sua própria natureza. Este tipo de pensamento deve ser combatido em todas as suas manifestações possíveis, da mais explícita até a mais velada.

Um exemplo de intolerância e, de quebra, de pouco conhecimento em biologia

Para o terror destas mulheres que pregam que todos homens deveriam ser extintos, os homens continuarão aqui na face da Terra. Por uma razão extremamente óbvia, é claro. Declarar uma guerra contra todos eles não irá trazer frutos, apenas sucessivas batalhas onde só há perdedores, onde a raiva e o ódio mútuo só aumentam, um cenário que simplesmente não traz benefícios a ninguém.

É justamente o homem quem deve ser ensinado e sensibilizado sobre os pontos de vista das mulheres sobre o mundo. É isso pelo qual, felizmente, a maioria das feministas lutam: por uma sociedade onde homem e mulher possam usufruir ao máximo da vida juntos, respeitando sempre os limites um do outro, sem favorecimentos injustos para um lado ou outro.

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  1. MarianaMariana07-14-2014

    Oi, tudo bem?
    você poderia ter colocado a fonte de onde a moça do comentário extraído do facebook retirou esse texto, né?
    SCUM Manifesto – Valerie Solanas, 1967
    E também esse post sem o contexto fica fácil de julgar né?
    Obrigada

  2. FabianaFabiana11-07-2014

    Ninguém no movimento feminista prega o ódio indiscriminado. Nós não fazemos militancia para que as mulheres passem a odiar os homens. A misandria é um SENTIMENTO (ninguém escolhe ser misândrica) que surge na mulher após entrar em contato com tanta barbárie que os homens fazem conosco.
    Ninguém acorda em um dia de manhã e diz "a partir de hoje começo a odiar os homens". Não. É um sentimento de ódio que surge pela CLASSE pelo GÊNERO masculino, não por cada homem individualmente.
    Sem contar que a misandria não faz nem cócegas nos homens, enquanto milhões de mulheres morrem , são estupradas ou violentadas de alguma outra forma todos os dias por causa do machismo.
    Acha que é fácil ver tudo isso acontecendo e não ficar com raiva?

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