Jovem Negro Es

O brasileiro não vai gostar de colher o que está plantando…

Eu entendo a indignação das pessoas com o excesso de impunidade no Brasil. Seja por incapacidade da polícia, por uma falha no sistema judicial, seja pelas punições brandas para certos crimes. Ou ainda, pelo fato de que, em alguns recônditos das grandes cidades, sequer existe um “Estado” que possa assegurar a lei e a ordem.

Este tipo de indignação gera um sentimento legítimo em muitas pessoas: se o Estado não fará justiça, farei eu. Após um julgamento sumário, muitas vezes sem evidência qualquer, o dito “cidadão de bem” forma seu juízo, profere sua sentença, mune-se de porretes, paus e pedras. Vagando pelas ruas como se fosse um ser puro, iluminado, de onde apenas a justiça mais perfeita pudesse emergir, desce o cacete no primeiro “réu” que aparece em sua frente (antes mesmo do julgamento).

Ingênuo ou ignorante, alheio de que o chamado “amplo direito de defesa” é uma conquista que nos afasta da barbárie, o cidadão de bem não entende que ele pode estar enganado. Ele não entende que o processo de defesa serve, justamente, para que inocentes não sejam punidos. E por não entender isso, o “cidadão de bem” se coloca acima da constituição do Brasil e declara pena de morte àquele cara ali, do outro lado da rua, que disseram que roubou um chiclete.

Fabiane Maria de Jesus

A dona de casa Fabiane Maria de Jesus, de 33 anos, morreu dois dias após ter sido espancada por dezenas de moradores de Guarujá, no litoral de São Paulo. Segundo a família, ela foi agredida a partir de um boato gerado por uma página em uma rede social que afirmava que a dona de casa sequestrava crianças para utilizá-las em rituais de magia negra. Na verdade, a confundiram com outra mulher.

No Espírito Santo, Alailton Ferreira, de 17 anos, foi cercado por um grupo armado com pedras, barras de ferro e pedaços de madeira. Momentos depois, ele seria foi alvo de um espancamento coletivo e morto. Foi acusado de tentar estuprar uma garota. Sendo um doente mental, o irmão garante que ele seria incapaz disso. Um morador, confessa: “Ninguém viu esse tal estupro ou mesmo noticias da suposta vítima”.

E assim, o brasileiro sedento por sangue, prisões, pena de morte, sem perceber, vai transformando seu país exatamente naquilo que ele não deseja.

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  1. GuilhermeGuilherme05-09-2014

    Ótimo post.

  2. Ozaniel SouzaOzaniel Souza06-06-2014

    Os brasileiros deveriam se unir e pedir um empenho destes políticos corruptos, para que fizessem com que as leis já existentes neste país fossem cumpridas. Para que os criminosos pagassem pelos seus crimes e que a impunidade fosse reduzido, para que os famosos menores infratores fossem responsabilizados pelos seus atos e não passar a mão na cabeça como que fossem coitadinhos ou crianças, reduzindo para dezesseis anos a idade penal, já que um jovem com dezesseis anos pode votar, portanto pode ser responsabilizado pelos seus atos. Só assim poderemos ter um país mais humano, caso contrário nosso país vai virar um estado de barbárie. A população fazendo justiça com as próprias mãos.

  3. juliaojuliao06-21-2014

    A partir do dia que todos e quaisquer brasileiro que cometer um ato infracional PAGAR MESMO, de verdade pelo que fez, aí haverá paz neste país de tantas desordens. E, digo, não é só ir preso e depois sair isento do que fez. Isso não é justiça. A verdadeira justiça é OLHO POR OLHO E DENTE POR DENTE. Um exemplo: um marginal que queimou um ônibus, deveria trabalhar , com os pés algemados, somente com as mãos livres para poder segurar a ferramenta de trabalho, e ser liberto somente depois de ter pago, com seu próprio trabalho, aquele ônibus queimado. O tempo que ele iria ser escravo não interessa, 5, 10,15, 20,ou 30 anos. Se isso acontecesse apenas poucas vezes, vagabundos nenhum queimariam mais ônibus. Isso é o verdadeiro remédio.

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