Crianças religiosas. Parece bonitinho, mas não é

Menina de 12 anos se mata para ir ao céu… e ela está certa!

Maria Kisko, 12, de Leszno, na Polônia, se matou porque queria ir para o céu, onde acreditava estar o seu pai, morto em 2009 de um ataque cardíaco.

Monika, 35, a mãe, encontrou a menina enforcada em seu quarto. A mãe tinha ido ao quarto para ler uma história de modo a ajudar a filha a dormir.

Maria deixou o seguinte bilhete: “Querida mamãe, por favor, não fique triste, é que eu sinto muito a falta do papai, e quero vê-lo novamente”.

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Apesar de trágico, a razão para o suicídio está correta. Maria deduziu o óbvio: se meu pai morreu, está no céu. Se eu morrer, vou para o céu. Já que eu quero vê-lo, vou me matar para pode encontrá-lo. Realmente, faz todo sentido.

Se eu acredito plenamente na vida após a morte, tenho fé que meu deus entenderia meu sofrimento aqui na Terra, por que não ir logo ao paraíso, local sem sofrimento, rever pessoas queridas que já se foram? Apesar disso, é intrigante notar que não se costuma ver por aí religiosos se matando para ir desta para melhor.

Nem mesmo os ataques suicidas tem razões religiosas. Diferente do senso comum e da imagem que a mídia nos vende, Robert Pape, professor de ciências políticas da Universidade de Chicago, afirma que:

“Ao se analisar todos os ataques suicidas cometidos por organizações não-governamentais desde 1980, verifica-se que 95% delas tiveram motivação nacionalista ou secular. Apenas 5% teriam cunho religioso, o que pode ocorrer em qualquer tipo de ataque, não apenas suicida. O grupo que mais cometeu atentados suicidas é Tigres Tâmeis, do Sri Lanka, e eles não são muçulmanos. Todos os líderes da rede terrorista Al Qaeda já deixaram claro que querem a desocupação de territórios ocupados por forças ocidentais e dos regimes aliados locais. Não se trata de uma motivação religiosa, mas territorial ou política. No 11 de Setembro, os EUA tinham tropas na Arábia Saudita. Os líderes dos ataques terroristas contra Londres também deixaram claro que queriam o fim da ocupação do Iraque.”

Ou seja, mesmo acreditando numa vida após a morte, religiosos não querem morrer. Seria um resquício de ceticismo? Será que no fundo se passam pensamentos como “Puxa, e se a morte for realmente o fim de tudo?” ou algo do tipo?

Não sei. Mas isso deixa bem claro o problema de doutrinar crianças com as fábulas religiosas. O mesmo argumento que faz crianças se jogarem de prédios achando que voarão como o Super-Homem, é o mesmo que fez Maria se matar: eles não sabem distinguir a realidade da ficção. Só sei que se algum deus punir Maria no além por ela ter se matado, este deus é certamente um sádico.

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  1. Cesar SiqueiraCesar Siqueira11-09-2013

    Eu realmente não sei aonde o autor encontrou tanta criatividade para utilizar este tipo de argumento, com dados estatísticos e tudo, para supor que por eu não querer me matar eu tenho certo ceticismo quanto a existência ou não de vida pós-morte… Criatividade tá sobrando… rigor nos argumentos faltando e muito…..

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