Darwin   I Think      By Kilrizzy

Dossiê Darwin: as evidências e a importância da Teoria da Evolução

A Teoria da Evolução é um fato tanto quanto qualquer outro fato estabelecido pela ciência

Basicamente, a visão darwiniana tradicional sustenta que pequenas mudanças na estrutura e no comportamento, efetuadas pela seleção natural das variações, produz, após um longo período de tempo, organismos que diferem tão grandemente de seus ancestrais que eles não são mais o mesmo organismo, e devem ser classificados como uma espécie separada. Este ponto da Teoria da Evolução não é mais discutido entre os cientistas, sendo aceita como um fato que serve de base para a biologia e que é parte indissociável de outras ciências, como a paleontologia.

Contudo, pessoas que não conhecem profundamente sobre biologia nem sempre têm elementos suficientes para “acreditar” (a palavra correta seria “entender”) na Teoria da Evolução. Pensando nisso, coloco aqui uma série de argumentos e evidências que comprovam esta teoria, que é vital no mundo moderno (embora muita gente desconheça sua importância). Exponho estes argumentos de maneira que qualquer leigo possa ler e entender. A organização em tópicos é necessária, pois, o material é extenso e isso facilita a localização de trechos que venham a interessar. As fontes seguem sempre próximas ao assunto sendo exposto.


 

A teoria da evolução de Darwin como um fato

Stephen Jay Gould: A evolução é uma teoria, mas também é um fatoAntes de começar, vale frisar que há um post falando sobre como ocorre o processo da evolução e da seleção natural. Precisamos nos precaver ainda daquelas pessoas que confundem o termo “teoria”, usado coloquialmente, daquele usado na ciência. Para tanto, vale explicar uma vez mais o que é uma “teoria”.

Stephen Jay Gould, paleontólogo, nos explica que a evolução é uma teoria. Mas também é um fato. E fatos e teorias são coisas diferentes, e não estágios de hierarquia de certeza crescente. Fatos são dados do mundo. E teorias são as estruturas de ideias que explicam e interpretam os fatos. Os fatos não desaparecem enquanto os cientistas debatem teorias rivais que tentam explicá-los. A teoria gravitacional de Einstein substituiu a de Newton, mas as maçãs não ficaram pairando no ar, à espera da definição. E os seres humanos evoluíram a partir de ancestrais parecidos com símios, quer através do mecanismo proposto por Darwin, quer através de qualquer outro ainda por descobrir.

Ademais “fato” não quer dizer “certeza absoluta”. Em lógica e matemática, as provas finais fluem dedutivamente de premissas estabelecidas, e essas provas só são válidas porque não dizem respeito ao mundo empírico. Os evolucionistas não reivindicam para si a perpétua verdade, embora os criacionistas frequentemente o façam (e nos ataquem por pretensamente adotarmos um tipo de argumento usado por eles). Em ciência, “fato” só pode significar “confirmado a tal ponto que seria perverso suprir uma concordância provisória com ele”. Eu suponho que as maçãs podem começar a subir amanhã, mas essa possibilidade não merece tempo igual nas aulas de física.

 

A evolução é amplamente aceita na comunidade científica

Muitos, ainda, alegam ser a “Teoria da Evolução” uma controvérsia entre cientistas. Não há falácia mais perversa contra o mundo acadêmico. Cientistas de diversas áreas concordam quanto à validade de teoria, ainda que restem pontos a serem explicados e entendidos.

Um dos mais influentes e renomados paleontólogos do séc. XX, George Gaylord Simpson afirmou: “Darwin de uma vez por todas, definitivamente, estabeleceu a teoria da evolução como um fato.” Como Simpson elaborou diversos trabalhos que tinham como base justamente a teoria da evolução, também disse certa vez que: “Eu não acho que a evolução é sumamente importante por ser minha especialidade; ela é minha especialidade porque acho que ela é sumamente importante”. Sua visão naturalista do mundo, também, fica bem clara quando declarou: “O homem é o resultado de um processo natural e sem propósito que não tinha ele (o homem) em seus planos”.

O geneticista Hermann Joseph Muller, ganhador do prêmio Nobel de Medicina em 1946, foi um dos primeiros a cunhar o termo “complexidade irredutível”, mas diferente dos adeptos do “design inteligente”, Muller tinha convicção que até isso seria resultado da evolução. Estudou e trabalhou tanto tendo como base a teoria da evolução, que disse: “Tão grandiosa, ramificada e consistente que se tornaram as evidências para a evolução, que se alguém puder contradizê-la eu teria minha concepção da ordem do universo tão abalada que colocaria em dúvida minha própria existência.”

Hermann Joseph Muller: Se a Teoria da Evolução fosse falsa, duvidaria de minha própria existênciaKenneth Raymond Miller, um professor de biologia que já lecionou em Harvard e atualmente trabalha na Brown University, é um católico. Como cientista renomado que é, tornou-se um ferrenho defensor da teoria da evolução, tendo constantes debates para confrontar o “design inteligente” de Michael Behe. Foi um dos cientistas que depuseram contra Behe no caso de Dover, onde uma escola queria ensinar o “design inteligente” como se fosse ciência. Miller deixou bem claro: “a evolução é um fato como qualquer outra coisa que conhecemos como fato na ciência”.

Stephen Jay Gould foi um paleontólogo, isto é, ele estuda a vida pré-histórica através de fósseis para entender o curso da evolução biológica. Professor de Harvard, era um dos cientistas de maior renome em sua área, além de ser um dos grandes difusores da ciência. Gould era um grande defensor da Teoria da Evolução, uma vez que seus estudos e descobertas acabavam por confirma-la. Claro que há acertos pontuais na ciência que estuda a Teoria da Evolução, mas isso não a descaracteriza em absoluto. Sobre isso, ele disse: “Teorias poderosas e verdadeiramente grandiosas não podem descansar sob observações solitárias. Evolução é uma inferência de milhares de fontes independentes, a única estrutura conceitual que pode criar um senso unificado para todas estas diferentes informações. A falha de uma alegação em particular geralmente registra um erro local, não uma quebra da teoria central.”

Há ainda uma outra ciência que confirma e usa a Teoria da Evolução: a geologia, que é a ciência que estuda a Terra, sua composição, estrutura, propriedades físicas, história e os processos que lhe dão forma. Uma rápida procura na internet e veremos que a teoria da evolução faz parte da maior parte das grades curriculares das maiores universidades do mundo. Para usar um breve texto explicativo que pode ser encontrado no Departamento de Geologia da Universidade de Baylor, em uma espécie de apresentação do curso nos é mostrada a seguinte pergunta: O registro de fósseis sustentam a ideia de mudanças biológicas através dos tempos? A resposta segue abaixo:

“Sim. Os fósseis claramente indicam que:

- uma progressão da complexidade de organismos de fósseis muito simples nas rochas mais antigas (mais de 3,5 bilhões de anos) até um amplo espectro de simples e complexas formas nas rochas mais jovens;

- alguns organismos que um dia eram comuns estão hoje extintos;

- os organismos vivos que habitam o mundo atualmente são similares (mas geralmente não os mesmos) de organismos representados como fósseis em depósitos de rochas sedimentares mais jovens, os quais por sua vez possuem ancestrais evolucionários representados como fósseis em rochas mais antigas.

Royal Society:

A Royal Society, organização que atua como conselheira científica do governo britânico, reúne entre seus membros os maiores cientistas da Inglaterra e de alguns outros países. Entre eles, há alguns ganhadores de prêmios Nobel, como o atual presidente, Sir Paul Maxime Nurse, geneticista ganhador do Nobel em Medicina em 2001. A organização se posiciona abertamente como defensora da Teoria da Evolução. Em 2006, quando houve alegações de que algumas escolas ensinam o criacionismo lado-a-lado com a evolução, a organização se manifestou dizendo:

A crença de que todas as espécies da Terra sempre existiram na sua forma atual não é consistente com as abundantes evidências da evolução, como os registros fósseis. De maneira similar, a crença de que a Terra se formou em 4004 a.C não é consistente com as evidências da geologia, astronomia e a física de que o sistema solar, incluindo a Terra, se formou aproximadamente há 4,6 bilhões de anos.

Harvard, a instituição de educação mais conceituada e respeitada do mundo, mantém a mais de 100 anos um Departamento de Biologia Evolucionária onde deixa claro:

Toda a vida evoluiu – e, sobretudo, por seleção natural. A vida tem uma imensamente complexa diversidade que pode ser compreendida e manipulada apenas pelo entendimento de sua longa história genética e as capacidades especiais de cada espécie.”

A Academia Brasileira de Ciências, que congrega centenas de cientistas de grande renome do Brasil e do exterior, também defende abertamente a Teoria da Evolução. No começo de 2012, enviou o seguinte comunicado à imprensa:

“O grupo de Membros da Academia Brasileira de Ciências signatário desta correspondência, atuantes na área de Genética, manifesta a sua preocupação com a tentativa de popularização de ideias retrógradas que afrontam o método científico, fundamentadas no criacionismo, também chamado como ‘design inteligente’ (…)sentimo-nos afrontados pela divulgação de conceitos sem fundamentação científica por pesquisadores de reconhecido saber em outras áreas da Ciência.”

O “Académie des sciences”, que reúne os expoentes da ciência da França e de alguns outros países, chegou mesmo a publicar uma homenagem à Charles Darwin.

Mas bem antes dela, a “Deutsche Akademie der Naturforscher Leopoldina, que é a Academia de Ciências da Alemanha, já tinha bolado uma homenagem. Entre seus mais de 1400 membros, há cerca de 157 ganhadores do Prêmio Nobel. Albert Einstein, Max Planck e o próprio Charles Darwin figuram entre seus membros mais ilustres. Para celebrar e homenagear Darwin, a Leopoldina criou am 1959 a “Darwin-Plakette”, uma condecoração dada aos 18 maiores cientistas e pesquisadores da evolução no mundo, em comemoração ao centésimo aniversário da publicação do livro “A Origem das Espécies”.

Darwin-Plakette, condecoração dada pela Academia de Ciências da Alemanha a cientistas de todo o mundo, da Rússia até as Américas, por suas pesquisas da evolução do seres

A “National Academy of Sciences”, dos EUA, é uma corporação dos maiores cientistas daquele país, servindo mesmo como conselheiro do governo em questões de ciências. Entre seus mais de 2100 membros, há mais de 300 ganhadores de prêmios Nobel. A corporação é clara em sua postura de defender a Teoria de Evolução, conforme estabelecido aqui:

“As ideias de Charles Darwin e o conceito de evolução por seleção natural continuam a ter uma profunda influência na biologia moderna: elas permeiam quase todas as áreas de exploração científica”

Mais recentemente, um grupo de pesquisadores da USP (que está entre as 100 melhores universidades do planeta) está propondo à Universidade de São Paulo a criação de um Núcleo de Apoio à Pesquisa (NAP) sobre Educação, Divulgação e Epistemologia da Evolução Biológica. O problema, segundo eles, é que os questionamentos não são feitos com base em argumentos científicos, mas em dogmas religiosos “disfarçados” de ciência.

Temos assistido a alarmantes manifestações de membros da comunidade científica se posicionando publicamente a favor da perspectiva criacionista, distorcendo fatos para questionar a validade científica da evolução biológica. Tais ações visam a influenciar os currículos escolares brasileiros, por meio de polemistas que ostentam supostas credenciais científicas e utilizam argumentos pretensamente complexos extraídos de diferentes campos.”

A proposta é assinada por Nelio Bizzo, da Faculdade de Educação da USP, Mario de Pinna, do Museu de Zoologia da USP, Paulo Sano, do Departamento de Botânica da USP, Maria Isabel Landim, também do Museu de Zoologia, e Acácio Pagan, do Departamento de Biociências da Universidade Federal de Sergipe.

Acho que agora, assim, fica bem claro que a Teoria da Evolução é aceita como um fato. Este é um consenso entre os cientistas de todo o mundo. E isso se deve, principalmente, porque são pessoas que trabalham ano após ano com experimentos que, justamente, são embasados nesta teoria. São estas pessoas e seus estudos que tornam nossos remédios mais eficazes, por exemplo.

Departamento de Biologia Evolucionária de Harvard:

 

A evolução registrada em nossos genes

A religião quer afastar a ideia de que partilhamos de ancestrais comuns. Afinal, umas das possíveis implicações disso seria o fato de que não somos lá tão especiais assim, apenas mais uma das milhões de formas de vida que se manifestaram por aqui. Infelizmente (para alguns), a ciência prova que pessoas que pensam assim estão completamente enganadas. Partilhamos genes com animais que sequer imaginamos. Ainda que isso pareça improvável, é compatível e previsível à luz da Teoria da Evolução.

Isso significa que, um dia, todos partilharam o mesmo código genético, ou seja, somos verdadeiramente irmãos de cada ser vivo que habita o planeta: de uma rosa até uma barata, de um dinossauro até uma bactéria, da grama que pisamos até a comida que comemos. Para muitos, esta é verdadeiramente uma bela visão do mundo e da vida em si. É algo que torna todos os seres vivos da Terra uma grande família.

Qualquer semelhança não é coincidência: é parentesco mesmoPara exemplificar, cientistas constataram que ratos e humanos tem aproximadamente 30.000 genes, mas apenas 300 são únicos em cada organismo. Como o rato, nós temos o gene para ter uma cauda, mas em nós ele está desativado. “Por volta de 99% dos genes humanos tem contrapartes em ratos. Cerca de 80% são completamente idênticos”, disse Eric Lander, diretor do Whitehead Institute Center for Genomic Research em Cambridge.

Em outro caso, cientistas das Universidades da Califórnia, Berkley e do Joint Genome Institute, descobriram que partilhamos cerca de 70% dos genes de uma espécie de esponja do mar. O que indica que nosso ancestral comum (sim, o seu progenitor e o da esponja) viveu há mais de 600 milhões de anos. A importância desta descoberta ajudará no estudo do câncer nos humanos e do desenvolvimento de novos fármacos.

Até mesmo a banana que comemos possui contrapartes de seus genes nos genes humanos! Em termos comparativos, somos 50% parecidos com bananas. Sim, bananas e nós, um dia, tivemos um ancestral em comum. Difícil entender, não? Mas lembre-se que basta mudar um pequeno gene de uma drosófila, por exemplo, para conseguir criar uma nova mosca com 2 ou 4 asas. Imagine centenas de milhões de anos de mudanças neste código genético, quantas criaturas diferentes hão de surgir?

Vale lembrar que esta comparação entre genes é relativa. Não temos quase a totalidade de nossos genes iguais aos de um rato ou chimpanzé (tampouco uma banana). Estas comparações são sobre aqueles genes similares entre os organismos. Para entender melhor como estas comparações são realizadas, há um ótimo artigo (mais técnico) no site do Evolucionismo.

Ainda assim, fica muito claro que, definitivamente, partilhamos sim de mesmo material genético e, portanto, de um mesmo ancestral. Isso não é uma especulação ou achismo: é um fato. Tão importante e tão verdadeiro que nossos futuros remédios serão produzidos graças a estas pesquisas.

 

As evidências da evolução em curso

Biólogos, geneticistas e alguns outros cientistas mais especializados entendem a evolução nos seus mínimos detalhes. Justamente por isso, para estes não lhes restam dúvidas de que ela ocorre basicamente como previu a Teoria da Evolução de Charles Darwin. Mas pessoas de outras áreas precisam de evidências mais didáticas, mais próximas da realidade do dia-a-dia. Se contra fatos não há argumentos, seguem abaixo algumas destas evidências para que fique bem claro para qualquer leitor que a evolução dos organismos e das espécies ocorre sim. Ela pode ser previsível e, em alguns casos, até mesmo guiada.

1-) Um casal de biólogos norte-americanos conseguiu observar pela primeira vez um fenômeno da seleção natural entre espécies de pássaros do início ao fim. Peter e Rosemary Grant, da Universidade de Princeton, verificaram a redução do tamanho médio de bicos em uma população de tentilhões-da-terra-médios (Geospiza fortis) no arquipélago de Galápagos, no Oceano Pacífico;

2-) Uma evidência de convergência evolutiva, isto é, quando duas ou mais populações adquirem uma mesma característica de forma totalmente independente, foi recentemente comprovada quando cientistas estudaram se outros povos, que não os europeus, possuíam tolerância à lactose. O exemplo mais expressivo é o do povo massai, pastores nômades do Quênia que se alimentam não apenas do leite e da carne, mas também do sangue dos bovinos que criam. Em todas essas populações estudadas, o casamento entre mutação genética e meio ambiente propiciou enormes vantagens competitivas;

3-) Por falta do receptor celular CCR-5, o vírus da AIDS simplesmente não consegue entrar nas células, infectá-las e se replicar. Por isso, 1% da população mundial é imune ao vírus da AIDS. Mas a proteção só é eficaz se os genes defeituosos forem passados por pai e mãe. A falta do CCR-5 é uma herança genética caucasiana (pessoas originárias da Europa Oriental). “Eles provavelmente sobreviveram por serem resistentes à cólera na Idade Média. O mesmo defeito que os protegeu na época contra a cólera agora age contra a AIDS”, afirmam os médicos;

4-) O vírus da gripe aviária, o H5N1 é um grande risco à humanidade, pois, há a possibilidade do vírus sofrer alguma mutação genética que facilite sua transmissão entre seres humanos e, neste caso, tecnicamente, não existirá uma vacina específica. O que poderia custar milhares, senão milhões de vidas, como foi a gripe espanhola, que matou mais de 20 milhões de pessoas;

5-) O laboratório Acambis, do Reino Unido, desenvolveu uma vacina para gripe que funciona mesmo com as constantes mutações do vírus. Até então, as vacinas para gripe eram eficazes apenas com um tipo muito específico do vírus Influenza. Todo ano, a vacina é “atualizada” para contemplar as mutações que o vírus sofre;

6-) Numa experiência controlada, o grupo de pesquisadores do laboratório do Dr. Richard Lenski, fez uma experiência ao longo de 20 anos, começando com 12 populações da bactéria Escherichia coli, que se desenvolveram separadamente ao longo de 44.000 gerações. Por volta da geração 31.500, as bactérias de uma das populações adquiriram a capacidade para metabolizar citrato, um nutriente que está presente em seu meio de cultura, mas que elas não conseguem aproveitar. Congelando bactérias a cada 500 gerações, eles puderam isolar o momento aproximado de quando estas alterações começaram a ocorrer. Refazendo a experiência várias vezes, eles puderam obter a prova de que a mutação genética foi resultado de uma série de alterações, cujo elemento-chave ocorreu por volta da geração 20.000;

7-) Durante a década de 1930, pesquisadores introduziram uma espécie de salmão em um hábitat no noroeste dos Estados Unidos composto de um rio e uma praia fluvial. Alguns animais se especializaram em viver na correnteza e desenvolveram características distintas daqueles que habitavam as águas calmas da praia. Hoje em dia, os peixes de uma população dificilmente se reproduzem com os da outra e, caso isso ocorra, os descendentes têm poucas chances de sobreviver. “Ainda não se pode dizer que são duas espécies diferentes, mas esse caso é um modelo de como surgem novas linhagens“, afirma Andrew Hendry, da Universidade de Massachusetts, Estados Unidos, o autor do estudo. Isso mostra que a evolução pode ocorrer sim em “saltos”, o que explicaria a ausência de alguns fósseis de transição entre duas espécies (algo que os criacionistas adoram usar como prova de que a evolução não ocorre);

8-) O uso excessivo de antibióticos, em muitos casos inadequado, na medicina humana e veterinária e na agricultura contribuiu para o aumento rápido da prevalência de microrganismos resistentes aos medicamentos, exatamente como prevê a teoria da evolução. De fato, muitos dos antigos antibióticos tornaram-se seja ineficazes seja menos fiáveis do que antes. Por exemplo, a resistência à penicilina – o anterior tratamento preferido nas infecções provocadas pelo Staphylococcus aureus – está agora banalizado em muitos países.

9-) A evolução ajudou cientistas a identificarem fontes de drogas capazes de salvar vidas. A “Pacific Yew”, por exemplo, era a única fonte de Taxol, uma excelente droga usada no combate ao câncer de ovário, pulmão e mama. Esta planta ameaçada de extinção cresce muito devagar e são necessárias de 3 a 6 plantas para produzir apenas uma única dose de Taxol. Mas cientistas usaram a história evolucionária do “Pacific Yew” para rastrear seus ancestrais, descobrindo assim os componentes do Taxol em plantas mais comuns, aumentando dramaticamente o suprimento de Taxol. A evolução salva vidas.

Como se vê, a evolução está a pleno vapor, como sempre esteve desde que as moléculas começaram a interagir e se tornaram um ser auto-replicante. Muitas coisas ainda estão obscuras sobre a evolução, isso porque em geral ela se dá lentamente, ao longo de milhares ou milhões de anos (embora há teorias sobre “saltos evolutivos”, como no caso do experimento do salmão, nos EUA). E a teoria como a conhecemos só tem 150 anos. Você pode tomar duas atitudes ante os pontos ainda não resolvidos pela ciência. Pode falar que “foi deus” ou aguardar até que a ciência entenda e explique o que hoje é desconhecido.

Segue, no vídeo abaixo, algumas explicações extras, além de mais evidências, incluindo sobre os tão procurados “elos perdidos”. O que muitos não sabem é que justamente por terem sido encontrados diversos fósseis de transição é que pudemos montar as árvores genealógicas de tantas espécies diferentes.

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