A origem (inventada?) do povo judeu

Moisés apresenta as tábuas dos 10 Mandamentos

Rei David mata o gigante Golias

Na origem da história do povo judeu há personagens como Moisés e Rei David que não possuem uma existência comprovada

É muito importante conhecer a origem dos judeus, uma vez que nosso estilo de vida ocidental descende deles. O interessante é notar que a história deste povo inicia-se num período nebuloso, sem registros históricos, sendo o Torá (base da bíblia) a única fonte das informações. Logo, temos história e ficção (partindo do suposto que Adão e Eva, Noé, etc, são apenas personagens inventados na bíblia) andando lado a lado. Nem Moisés, nem o Rei David (que derrotou o gigante filisteu Golias e quem, segundo arqueólogos, nada mais foi do que a história de um “Robin Hood” que deu certo, tornando-se o fundador de uma dinastia), nem Salomão têm amparo em registros históricos. Eles existem, tão somente, nos livros religiosos.

A saga de Moisés, o profeta que teria arrancado seu povo da escravidão no Egito e fundado a nação de Israel, tem bases muito tênues na realidade, segundo as pesquisas arqueológicas mais recentes. É praticamente certo que, em sua maioria, os israelitas tenham se originado dentro da própria Palestina, e não fugido do Egito. O próprio Moisés tem chances de ser um personagem fictício, ou tão alterado pelas lendas que se acumularam ao redor de seu nome que hoje é quase impossível saber qual foi seu papel histórico original. Moisés não poderia ter feito os hebreus saírem do Egito, nem tê-los conduzido à “terra prometida” — pelo simples fato de que, naquela época, a região estava nas mãos dos próprios egípcios! Aliás, não existe nenhum traço de revolta de escravos no reinado dos faraós, nem de uma conquista rápida de Canaã por estrangeiros. Alguns dizem que os egípcios não registravam fracassos, mas este argumento é falso: “a saída de um pequeno grupo nem era um revés, e eles relatavam derrotas sim, mesmo quando diziam que tinha sido um empate”, afirma Airton José da Silva, professor de Antigo Testamento do Centro de Estudos da Arquidiocese de Ribeirão Preto (SP). 

Tampouco há sinal ou lembrança do suntuoso reinado de Davi e Salomão. As descobertas da década passada mostram a existência de dois pequenos reinos: Israel, o mais potente; e a Judéia, cujos habitantes não sofreram exílio no século 6 a.C. Apenas as elites políticas e intelectuais tiveram de se instalar na Babilônia, e foi desse encontro decisivo com os cultos persas que nasceu o monoteísmo judaico.

Shlomo Sand, que é judeu, historiador, professor da Universidade de Tel-Aviv e autor de Comment le peuple juif fut inventé (Como foi inventado o povo judeu), afirma que o povo judeu é fruto de uma pluralidade de povos de diferentes etnias convertidos ao judaísmo ao longo dos séculos. Aliás, segundo ele, apenas na segunda metade do século XIX, começaram a pensar em Israel como nação e foram obrigados a criar um passado comum que unisse o povo judeu. Mas como nação, os judeus nunca existiram. Uma nação só é uma nação quando tem em comum a língua, o passado, os hábitos culturais. Os judeus não têm isso.

Por fim, e muito importante: os romanos nunca exilaram povo nenhum em toda a porção oriental do Mediterrâneo. Com exceção dos prisioneiros reduzidos à escravidão, os habitantes da Judéia continuaram a viver em suas terras mesmo após a destruição do Segundo Templo. Uma parte deles se converteu ao cristianismo no século 4, enquanto a maioria aderiu ao Islã, durante a conquista árabe do século 7. E os pensadores sionistas não ignoravam isso: tanto Yitzhak ben Zvi, que seria presidente de Israel, quanto David ben Gurion, fundador do país, escreveram sobre isso até 1929, ano da grande revolta palestina. Ambos mencionam, em várias ocasiões, o fato de que os camponeses da Palestina eram os descendentes dos habitantes da antiga Judéia. Então, se você não entendeu nada, vou resumir:

Historicamente, os judeus não possuem “terra prometida”, “terra natal”, nem nada, pois nunca foram uma nação. E aquele povo instalado na Palestina,que está sendo bombardeado, está lá desde tempos imemoriais e só tornou-se mulçumano após a expansão do islamismo no Oriente. Eles não são os invasores: eles estão em sua terra natal.

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  1. fabriciofabricio02-04-2009

    Por fim, e muito importante: os romanos nunca exilaram povo nenhum em toda a porção oriental do Mediterrâneo. esse sua informação é falsa, veja bem, no imeperio de tito e andriano os judeus foram duramente massacrados naquelas região, ñ restando outra alternativa a ñ ser fugir.Meu nome é Wagner – Graduando do curso de Geografia Universidade Estadual da Paraiba.

  2. Sergio CaetanoSergio Caetano11-03-2009

    Eu estou lendo atualmente um livro de Paul Johnson (A História dos Judeus) e já li diversos livros de autores consagrados que atestam a existência dessas pessoas, com base em farta documentação histórica, e que você diz que não existiram. Você tem alguma base confiável para suas afirmações?

  3. DuduziuzDuduziuz11-03-2009

    Olá Sérgio Caetano,Minhas fontes são os diversos sites e entrevistas com estudiosos da área.Uma voz discordante não necessariamente é a correta. De qualquer maneira, se você tiver algo a acrescentar atestando a veracidade da existência dos personagens, por favor nos deixe saber que eu realmente sou muito interessante pelo tema!Obrigado pela crítica,Eduardo

  4. DébyDéby11-19-2009

    Bom dia Eduardo.Notei que você tem interesse em pesquisar sobre a história do povo de Israel.Embora você tenha pedido ao Sérgio algumas informações a respeito, e não a mim, eu tenho um livro chamado “O Pentateuco” de J Van Seters que tem bastante notas a respeito da veracidade dos fatos, inclusive cientifica.Gosto de ler também o “Estudo panorâmico da bíblia” por Henrietta C. Mears, ajuda a compreender bem melhor alguns assuntos na bíblia.Vale a pena dar uma pesquisada, não para te convencer de nada, apenas para fazer comparações.Boa sorte!

  5. CLAUDIO MANOELCLAUDIO MANOEL01-25-2010

    …nem o Rei David…têm amparo em registros históricos. Eles existem, tão somente, nos livros religiosos. A estela de Tel Dan, descoberta ao norte da Galiléia, tem inscrições comemorando uma vitória de um dos inimigos de Israel, os reis de Damasco. No texto em aramaico (língua “prima” do hebraico), o rei de Damasco se gaba de sua vitória sobre “Acazias, filho de Jorão, rei da Casa [dinastia] de Davi”. A data estimada do texto fica em torno de 830 a.C. Ou seja, ele registra que a dinastia de Acazias, um século depois da época em que Davi teria vivido, dizia que ele era o fundador de sua “casa”.É preciso ler tudo o que está escrito nos sites, não somente aquilo que nos interessa.

  6. TycyahTycyah05-26-2010

    Bem legal esses assuntos! está me ajudando bastante nos trabalhos do COLÉGIO! Beijo! ;DD

  7. BarrosFilhoBarrosFilho06-06-2010

    Continuo afirmando que todos os fatos relacionados a esse tema,via de regra, tem todo um caráter tendencioso. São impregnados por visões religiosas que, salvo algumas ideias, acabam trilhando o fundamentalismo.Haja vista, as ideologias que se fundamentam as três principais religiões que tem como base a mesma história!!!!!

  8. ivan s. cerveiraivan s. cerveira11-26-2013

    Gostaria de saber do Sr. Airton José da Silva, de quais fontes ele tirou o argumento de que " os egípcios registravam suas derrotas sim" , afirmação esta que ele faz com toda certeza do mundo. Ele tirou essa idéia de sua própria cabeça ou dos maiores historiadores e arqueólogos do mundo.? Em outras palavras, desejaria que ele mostrasse as FONTES, de maneira clara e explícita de onde ele alimenta essa teoria.
    Constantemente venho lendo essa afirmação em sites que defendem o ceticismo em relação à Bíblia, só não acho quem identifique o nome e o endereço da fonte dessa idéia.

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